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ELE
E ELA
Cleide
Canton
Eu os
vi,
ele
confiante,
ela
irradiante.
Eu os
vi,
olhos
nos olhos,
escrevendo seus sonhos de amor
no
prefácio imaculado de suas vidas.
Emoções incontidas
que
transbordavam em ventos calmos
regendo doces hinos
na
linha imaginária
dos
seus destinos.
Eu os
vi
desatando os nós das diferenças,
engolindo o fel das intransigências,
buscando o consenso,
um
lugar comum
neste
mundo tão vasto
onde
os valores se perdem
ou se
camuflam
nas tantas cobiças,
onde o
"eu",
centralizado e egoísta,
fortalecido por razões infundadas,
grita
mais forte que o "nós",
perdido em esperanças castradas.
Eu os
vi
cambaleando nos seus rumos,
acertando os prumos,
ferindo-se nos espinhos
da
mata que tentava esconder,
no
esquecimento,
as
juras de um amor verdadeiro.
Eu vi
seus tombos
e seus
escorregões
na
lama da desarmonia
dos
desencontros do dia-a-dia.
Eu os
vi
afogando-se nas lágrimas da saudade,
tentando secar a dor
no sol
da verdade.
Eu os
vi
no
reencontro, final feliz,
mãos
nas mãos,
entendendo o valor
das
promessas de amor,
esquecidas no amarelado do tempo,
mas
reluzentes
nas
algemas douradas
que
sacramentaram
o que
foi sonho um dia,
fruto
da fantasia.
Eu os
vi!
Amam-se ainda, história real
neste
nosso mundo tão anormal!
SP,
30/01/2006
12:50
horas
Com todo o meu carinho,
para Andréa e Binho,
meus filhos.
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