NOSSOS  DUETOS

LUIZ POETA  & CLEIDE CANTON

 


EU TE VEREI EM VENEZA
Cleide Canton

Terá visto, o céu de Veneza,
trechos da história dos meus amores?
Um conto de fada qualquer
que brada nos meus escondidos
entre outros já esquecidos?
Teria um gondoleiro sorrido
ao ver meus olhos plenos de euforia
saltitarem de alegria
por entre máscaras, em carnavais
sem lágrimas nos finais?
Estaria tão distante assim
esse sonho que transborda em mim?
Teria sido tão grande a entrega
que a lembrança se faria cega
para que nem sombras restassem,
nem vestígios deixassem
de um amor tão envolvente?
Teria eu amado em Veneza
onde o querer surge inesperado
no palco de um teatro imaginado?
Teria sido eu uma outra Julieta
ou Mona Lisa nascida da paleta
de algum hábil pintor
cuja obra perpetuou o seu amor?
Teria eu amado em Veneza?
Se não fui ainda serei
no mais belo sonho que um dia abracei.
Tenho certeza!
Eu te verei em Veneza.

SP,20/05/2005
22:50 horas



VENEZIANAMENTE
Luiz Poeta ( Sbacem )
- Luiz Gilberto de Barros
Pra você, Cleide Canton.
Às 22 h e 11 min do Rio de janeiro
Sob inspiração do lindíssimo poema " Eu te verei em Veneza " , da talentosíssima escritora Cleide Canton



Tu me verás em Veneza
E onde mais tu quiseres
Eu chegarei de surpresa...
Contanto que não me esperes.
 

E quando, enfim, estiveres
Sonhando de olhos abertos
Com teu sorriso mais certo
Brotando como tu queres...

Eu chegarei no instante
Em que a tua emoção
Se tornar um habitante
Doce no teu coração.

Eu serei teu gondoleiro,
Teu gourmet, teu escultor
Quem sabe teu seresteiro,
Teu poeta...ou teu pintor...

Que importa!...quando eu chegar
Virei num sopro de brisa,
Pois o amor não avisa
Quando quer se aproximar.

E será tão de repente
Meu olhar no teu olhar
Que quando eu te beijar,
Desmaiarás... docemente.

E logo que acordares,
Apenas perceberás
Que toda vez que sonhares,
de novo... me encontrarás.

 

* * * * *

 


 

JORNAL DE ONTEM
Cleide Canton


Sobre a mesa,
o que foi manuseado em demasia.
Mal dobrado,
esconde a notícia da última página.
Mais um fato que se tornou banal
após as sensações do momento.
Mais um amor, que se dizia eterno,
encampado pelo vento.

E segues, cabisbaixo,
por novos caminhos, rumo ao desconhecido.
O meu olhar te acompanha, enternecido,
até que nem mais tua sombra
deixe vestígios.

Perdido em outros abraços,
encantado com a visão do novo,
tu ouves apenas a voz rouca e sensual
de paixões vestidas de lua,
embriagado por cantigas das sereias
que instigam as tuas buscas.

E te entregas, pleno,
ao perfume dos desejos primaveris
no auge dos teus outonos,
tingindo de carmim
as bocas cansadas de beijos ensaiados,
em corpos sedentos de abraços.

Conheço bem essa estrada
que leva, simplesmente, ao nada.
Permito que sigas...
Página virada!
Apenas te acompanha
a prece que murmuro,
pedindo ao Mestre que te guie
e à vida que te ensine.

Não há mais calor
no peito que te acolheu,
no ombro que amparou as tuas derrotas,
nas mãos que curaram tuas feridas,
no lábios que secaram tuas lágrimas.
Terás mesmo que aprender sozinho.

Tomara que o teu jornal de amanhã
te faça vibrar
como vibraste nas nossas manchetes!
Tomara que permaneças notícia
nas páginas de rosto,
sem deixar pelo caminho
as lágrimas doridas
que tantos já derramaram por ti.
Tomara!

SP, 16/09/2008
10:40 horas



JORNAL DE HOJE
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros


Às 20 h e 53 min do dia 4 de dezembro de 2008 do Rio de Janeiro,

para a admirável poetisa de Cleide Canton


Abriste o teu jornal na folha errada...
Não viste a manchete que dizia
Em letras garrafais, que apaixonada,
A minha solidão te perseguia...

E assim, olhando a página virada,
Só leste o amargor que te cabia:
No encarte, a propaganda digitada,
Falava de um amor que se vendia.

Na página da minha confidência,
Nem viste o que eu escrevi.... estava escrito
Que o meu amor, que é tão sem paciência,
Digita que te ama... em negrito.

 

* * * * *

 

 

GUERREIRA
Cleide Canton
 
 Hás de ver tuas glórias ainda em vida.
Hás de ter essa paz tão almejada,
sem as marcas gritantes da ferida,
sem torturas da história ultrapassada.
 
Hás de ser o brilhante lapidado
com tal luz bloqueando dissabores,
que a força moverá o teu cajado
contra o mal causador das tuas dores.
 
 Sentirás o sabor das alegrias
encoberto pelo mar das euforias
a dançar sob estrelas benfazejas.
 
 Hás de ver a beleza que enobrece,
em resposta ao poder da tua prece,
bem maior do que o pouco que desejas.
 
SP,15 /08/2008
12:50 horas


 
GOTA LUMINOSA
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
À meia-noite e 6 min do dia 19 de agosto de 2008,
especialmente para Cleide Canton

  
Cada gota de suor que tu perdeste
irrigou a tua história, produzindo
o amor que tu plantaste e só colheste,
quando a dor do teu amor te viu sorrindo.
 
E no sonho mais feliz que lapidaste,
revelaste muito mais que um diamante,
porque dentro do amor que tu sonhaste
cultivaste a emoção de cada instante.
 
Teu olhar não se perdeu, tu diluíste
a razão na emoção, quando fugiste
para o brilho sedutor de cada estrela...
 
e então, tu transformaste em fantasia
cada gota luminosa de poesia
para que meu coração pudesse lê-la.

 

* * * * *
 

 

MEU ANJO AZUL
Cleide Canton


Encontro nos teus contos o meu canto,
envolto ainda em sonhos cristalinos,
alheio a dissabores peregrinos,
perdidos no perdido do meu pranto.

E cobre-se de azul o terno manto,
tecido com agulhas maestrinas,
num céu onde as estrelas pequeninas
rebordam as bandeiras que levanto.

E surges, atendendo ao meu chamado,
meu anjo azul de Vênus batizado,
soprando aos ventos brandos seu clamor.

Invade-me o frescor da madrugada,
e aos braços dele entrego-me, cansada,
num áureo alar de cândido esplendor.

SP, 11/07/2008
00:40 horas



TEU ANJO AZUL
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros

Às 12 h e 26 min do dia 13 de julho de 2008 do Rio de Janeiro ,
especialmente para o talento de Cleide Canton



Teu anjo azul desperta quando tu devaneias
E quando anseias, com asas de passarinhos,
Sobrevoar a doce paz desses anjinhos
Soltos nos azuis do céu... onde te enleias.

Teu anjo azul só dorme quando estás feliz
E o teu sorriso mostra todo o esplendor
Que há nessa mágica sublime do amor
Que te ilumina sempre que tu sorris.

Teu anjo azul te ama, ele sobrevoa
Cada instante teu... e a sua alma boa
Pousa em teu silêncio porque ele adivinha

Quando estás triste e mesmo silenciosa,
Ele te conta estórias de tons cor-de-rosa
Com que te inebrias... e nunca estás sozinha.

 

* * * * *

 



ESCUTANDO COM TEUS OLHOS
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
Às 19 h e 44 min do dia 10 de novembro de 2007 do Rio de Janeiro
Especialmente e sob inspiração da alma poética
da minha irmã de sentimentos Cleide Canton


Eu falo quando rio... tu sabias ?
Agora, por exemplo, estou sorrindo
Feliz por ver nas tuas poesias
A mesma emoção que estou sentindo.

É como se um anjo misturasse
Teu riso dentro do meu coração
E ele me pedisse que eu ficasse
Contigo numa mesma abstração.

Eu falo quando rio... só desfruta
Da minha emoção, quem a escuta
Com os olhos... quando eles querem chorar

Sorrindo... com a mesma felicidade
Que envolve esta feliz cumplicidade
Que ri, quando tu vês com meu olhar.



SENTINDO A EMOÇÃO
Cleide Canton

Ao charme e encanto do meu irmão de alma, Luiz Poeta.


Se cruzo com teus versos sedutores
e sinto esta emoção que tu sentiste,
é certo que, entre tantos sonhadores,
nós somos a esperança que resiste.

E encontro o teu sorriso a festejar
os sonhos que tu tens e eu também.
Minh'alma busca a tua, a cantar
no mesmo horizonte, muito além...

E então os nossos versos vão nascendo
na troca de carinho, agradecendo
a graça deste encontro, amor-irmão.

És a simplicidade, és harmonia
eu sou cumplicidade, ventania,
porque tu és poesia, eu o refrão.

São Paulo,11/11/2007
23:20 horas

* * * * *
 

 

ENTRE ESTRELAS
Cleide Canton

Versos dedicados ao grande sonetista Solange Rech
de quem sou fã incondicional


Então eu te diria, louco amigo,
que eu ouço estrelas virgens lá do breu,
e, embora elas se ocultem, eu persigo
um sonho que uma delas escondeu.

E quanto mais eu sondo, mais padeço,
na ânsia de encontrar o que perdi,
e se não mereci, paguei o preço,
pois entre essas estrelas me escondi.

Não choro, sei que o pranto desencanta
a dor que ora me abraça e só espanta
as rimas que encadeiam versos meus.

No vão dos meus sussurros e lamentos,
devolvo ao Universo os meus tormentos
e jogo a minha fé nas mãos de Deus.

SP,10/11/2007
16:20 horas

 


OLHOS ESTELARES
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
Às 18 h e 40 min do dia 10 de novembro de 2007, para a arte de Cleide Canton

Não sei se já te disse... essa raça
De loucos que também fala sozinha,
Às vezes deambula pela praça
E ri da solidão, quando caminha...

Conversam com as estrelas, com as plantas,
Discutem, mesmo silenciosamente,
Com gente invisível... e são tantas
Às vezes que isto ocorre, que essa gente

Parece que nem é mais deste mundo
É só a poesia, num segundo,
Pousar no nos seu olhar mais submerso

Em sonhos, que seus olhos luminosos
Conversam entre si...maravilhosos
Imitando as estrelas... do universo.

 

* * * * *

IMPERCEPTÍVEL
Luiz Poeta

Luiz Gilberto de Barros
Às 9 h e 18 min do dia 15 de dezembro de 2007 do
Rio de Janeiro



Estou perto de ti... tu nem percebes...
Ocupas teu olhar com formas vagas
Eu brindo ao nosso amor, mas tu só bebes
A essência de uma dor que sempre afagas.

A ausência acomoda a utopia
Nos ermos tristes do teu coração
E enquanto o meu olhar te fantasia,
O teu amor procura um sonho...vão.

Estás longe de mim e distancias
O meu amor do teu... as apatias
Provocam reações surpreendentes:

Enquanto o meu sonhar sempre te evoca,
Teu sonho é mau pintor e só retoca
A angústia de um amor que tu nem sentes.



COMPREENSÍVEL
Cleide Canton

Às 12 h e 05 min do dia 16 de dezembro de 2007
de São Paulo, para a riqueza dos versos
do meu irmão de alma Luiz Poeta.


Há um sonho retocado, sem desvelo,
na ausência deste amor que já senti,
em telas que me servem de modelo
que esboçam as angústias que vivi.

Não erras quando evocas a utopia,
nem crês que ainda é teu o meu olhar.
Não sabes que esta louca fantasia
é fruto do meu jeito de te amar.

Estás perto de mim, eu não duvido,
e toco esta lembrança sem sentido
nas horas em que busco um sonho vão.

E saibas:quando brindo o que tu bebes,
eu guardo o teu sabor (e tu percebes)
nos ermos do meu triste coração .
 

* * * * *

 

INTEIRINHA NO TEU ABRAÇO
Cleide Canton
 
Porque sempre te encontro
nas minhas madrugadas
e porque sempre me abraças
em manhãs perfumadas
é que me entrego, sem temor,
a este feitiço, esta magia
que do sono me desvia.
 
Porque ouço tua voz
ao meu ouvido, sussurrando,
é que me permito esta fraqueza
de te seguir, amando,
por caminhos 'inda incertos,
que nos levam  ao oásis
de antigos sonhos desertos.
 
 
Porque sei que nos tropeços
não me permites cair
e porque depois de minhas cenas
sempre estás a me aplaudir
é que dedico só a ti 
os louvores da minha ventura,
o momento sensato desta loucura.
 
Porque compreendes a minha fala
e toleras os meus segredos,
é que me sinto neste mar de rosas
que dizima os meus medos.
Envolta pela brisa deste afeto
eu me prendo, sem cansaço,
inteirinha no teu abraço.
 
SP, 07/04/2006
08:30 horas
 
 
RECIPROSSONHANDO
Luiz Poeta ( sbacem - rj ) - Luiz Gilberto de Barros
 
Às 21 h e 39 min do dia 14 de abril de 2006 do Rio de Janeiro,
especialmente para o lirismo de Cleide Canton
 
 
Se tu me encontras quando sonhas, já me basta;
Meu coração só quer de ti qualquer afago;
O que me importa é o sonho que te trago;
Quando sonhamos, toda angústia se afasta.
 
Porque é no sonho que a ternura é mais casta;
Sem interesses sensuais, sem egoísmos;
Sem solidões, desilusões, sem pessimismos,
Sem qualquer mágoa, qualquer dor bem mais nefasta...
 
Se tu me ouves é porque estou bem perto;
Não imaginas, mas também ouço tua voz;
O mesmo sonho, ao mesmo tempo mora em nós
E eu te amo, sem pudor, no tempo certo.
 
Quando desmaias nesse abismo onde tu voas,
O nosso  amor voa também, liricamente
Sobre o azul da emoção mais envolvente,
Das nossas  almas tão profundamente boas.
 
E nesse azul solto no céu do teu olhar,
Quero voar e me transformo em passarinho,
Pouso feliz no aconchego desse ninho
Que ressurgiu quando eu te amei...ao te sonhar.

* * * * *

 

AMOR QUE SILENCIA
Luiz Poeta
- Luiz Gilberto de Barros -
Às 23 h e 30 min do dia 22 de setembro
de 2007 do Rio de Janeiro



Eu vejo o teu olhar quando me vejo
No espelho que parece me gritar
Palavras misturadas com teu beijo
Que beija a minha boca... sem beijar...

Tu segues meu silêncio, sussurrando
As mesmas frases soltas que dizias
No instante em que me amavas, confessando
O amor apaixonado que sentias...

Abraço teus abraços, enlaçando
A ausência dos teus braços sedutores
Fecho meus olhos vivo... te sonhando
E acabo despertando vãos amores.

De novo no espelho, estendo a mão
Querendo a tua mão tocando a minha,
As formas se dissolvem na razão
Que diz que a solidão é má vizinha.

Tento sorrir... a imagem...simplesmente,
Desmente a intenção da fantasia
Vazia... e o desejo... inconsistente
Desmaia no amor... que silencia.


SUSSURROS NO SILÊNCIO
Cleide Canton
Um carinho especial para meu irmão de alma e de sentimentos, Luiz Poeta

No beijo que te oferto tu pressentes
a dor deste meu peito, em agonia,
pois vejo que nos versos nunca mentes
mas nem desconfiaste que eu mentia.

Sussurro quando me machuca o grito
retido enquanto a dor tu silencias,
e sondas meus segredos e o conflito
que envolve todo o amor que merecias.

Não sou a tua dama por inteiro,
tu o sabes mas evitas confrontar.
Não posso mais negar o verdadeiro
senhor que me levou aos pés do altar.

O pranto que não vês é bem maior
que o sonho de me ver nos teus abraços.
Teus versos que recito, sei decor,
e os meus estão perdidos nos meus passos.

Tu cantas teu desgosto, a solidão
eu canto o desespero e erros tantos
que a grande fantasia morre, então,
no teu olhar amado e nos meus prantos.

SP, 27/09/2007
13:40 horas

* * * * *

 

VINHO NOS TEUS CRISTAIS
Cleide Canton
 
Percebeste, um tanto tarde, o sabor
do vinho que tomaste na boca do amor.
Tu o tens escondido na lembrança,
na taça da mais longínqua esperança.
 
E quando engoles o desejo que desponta,
sem o real, brincas de faz de conta.
E o brilho volta ao teu distante olhar
 no momento em que precisas sonhar.
 
Bendito vinho, dirás certamente,
que bebeste, insaciável, num torpor insolente
numa avidez total, talvez doentia
no cristal que até então reluzia.
 
Sentiste a infinitude do prazer
vindo de um rótulo que não soubeste ler,
de uma safra que não seria para qualquer
como não é para ti  uma verdadeira mulher.
 
Percebeste tarde, tarde demais,
que não há encaixe para desiguais.
O vinho se foi, o cristal partiu,
o tempo correu, o castelo ruiu,
o medo te açoita, a ausência não fala,
a noite te ronda, a saudade se instala...
 
SP,27/04/2006
19:50 horas
 
CÁLICES VAZIOS
Luiz Poeta ( sbacem ) - Luiz Gilberto de Barros
Às 20 h e 4 min do dia 23 de junho de 2006 do Rio de Janeiro
Especialmente para a arte de Cleide Canton e Simone CZ
 
No vinho que bebi, sorvi teus medos,
Mas não te degustei... não precisava;
Eu conhecia a safra...  te beijava
E amava teus mistérios e segredos...
 
No entanto, quanto mais te pertencia,
Eu muito mais de amor me embebedava
E enquanto o nosso amor se diluía, 
A taça dos desejos transbordava.
 
No epílogo do sonho, o fim perverso
Mostrou o outro lado da euforia,
Somente a dor do amor escreve o verso;
Quando a tristeza é tema de poesia...
 
Dois cálices restaram,   dois cristais
De cuja solidão, a nostalgia
Resgata a antiga dor da alma vazia,
Enquanto o velho amor... não volta mais.

 

* * * * *
 

 

MOSAICO DE SAUDADES
Luiz Poeta
( sbacem-rj ) Luiz Gilberto de Barros
Às 19 h e 34 min do dia 28 de fevereiro de 2007 do Rio de Janeiro



Colo palavras, atitudes, fatos, gestos...
Racionalmente, procurando ser sensato;
Algum bilhete, alguma carta, algum retrato
Antigo... cenas, folhetins e manifestos...

Há nesse ato, um processo que mistura
Minha ternura com minha reflexão;
Dentro do peito, um coração em vão procura
A outra parte do meu próprio coração.

Risos me pousam como um tênue vento leve,
Sublimemente, a cada cena já prevista;
O meu amor sustenta a dor que paira leve
No trampolim da emoção... equilibrista.

Formo um painel de sensações silenciosas
E me transporto. sobrevôo um tempo antigo
Onde a saudade projeta, maravilhosa,
Uma emoção onde a razão procura abrigo.

Nesse mosaico etéreo de movimentos,
O pensamento reproduz, à revelia
Do raciocínio, os mais puros sentimentos,
Unindo amor com solidão e nostalgia.

Disfarço a dor e o meu amor, por teimosia,
Repõe o sonho no vazio do meu peito
A solidão transforma a dor em fantasia
E a poesia flui num verso insatisfeito.

Cada palavra organiza um labirinto
Ludicamente... e quando eu busco o meu caminho,
O meu olhar transforma em luz tudo que eu sinto,
E nessa paz eu não me sinto mais...sozinho.


LABIRINTO
Cleide Canton
Ao poeta irmão Luiz Poeta, com carinho especial.


Enquanto colas o que sentes e o que vês
eu lamento o que não vejo e o que não sinto
e desvendo, em minha plena sensatez,
o que ignoro, o que choro e o que pressinto.

O outro lado, a outra face, uma metade
encontrei mas perdeu -se sem carinho
e o coração, mesmo em plena liberdade,
ainda chora pois não quer viver sozinho.

Não há brisa que amenize a dor sentida.
Na corda bamba balanceia a emoção.
Enquanto o vento abre mais uma ferida,
lágrimas tristes já deslizam pelo chão.

Muito tempo se passou, já é antigo
este aperto que somente me maltrata.
Vôo longe e procuro novo abrigo
e a saudade me persegue, quase mata.

Fico triste pois é grande a solidão
(muito embora não confunda sentimentos)
e me encontro quando tomo a tua mão
numa cena em que não vejo movimentos.

Não mais jogo neste imenso labirinto
pois que busco no caminho uma saída.
O que importa, no momento, é o que sinto,
e o que sinto não me deixa tão perdida.

SP,20/04/2007
10;30 horas

 

* * * * *

Tenta
Cleide Canton
 
Tenta lembrar-te de mim com terno carinho
enquanto buscas o acerto dos teus fracassos.
Estarei perto e não te deixarei sozinho
mesmo que meu coração esteja em pedaços.
 
Tenta aliviar, das tuas culpas, o peso
e as marcas deixadas por atos impensados.
O que sentes por ti mesmo não é desprezo...
Apenas falta de louros não conquistados.
 
Tenta pensar em mim, sem cometer enganos,
sem cobrir de véus o que sempre foi sensato.
Se não contavas com meu basta nos teus planos
eu já contava com teu ato e desacato.
 
Tenta pensar em mim lembrando a mão amiga
que te fez mais forte, mais homem e mais crente.
Vai ser difícil pois o braço que te abriga
te faz mais cego, mal amado e imprudente. 
 
E não dás conta que esta vida é passageira
e que, se impune tu te encontras ante a lei,
uma mentira não se esconde a vida inteira
e o mal retorna, tu o sabes, eu bem sei.
 
SP, 23/02/2006
19:50 horas
 
 
 

SONHOS LACRIMEJANTES

Luiz Poeta ( sbacem-rj ) – Luiz Gilberto de Barros

Às 20 h e 29 min do dia 25 de fevereiro de 2006 do Rio de Janeiro

Com carinho e admiração, para a minha irmã de poesia Cleide Canton.

 

 

Quando eu te lembro, uma ternura antiga

Dança nos meus sonhos, silenciosamente,

E meu coração  no teu amor se abriga,

Minha doce amiga, amada e tão... ausente.

 

O passado vem, meus olhos lacrimejam,

Embaçando os sonhos do meu coração;

Choro mudamente para que não vejam

Que eles só desejam teus sonhos... em vão.

 

Penso em ti...tu vens numa fotografia

Real, sorridente, terna, doce...amante,

Mas a minha alma está tão vazia,

A fotografia some...num instante

 

Tento ressonhar-te, choro mais ainda,

Sinto-te tão linda num vôo solitário

Por minhas lembranças, mas meu sonho finda

Muito mais ainda... sem itinerário.

 

Retorno no tempo, a vida, sem pressa,

Me traz cada peça do amor...sem sentido...

A imagem some...que mais me interessa ?

A dor que não cessa é um sonho... perdido.

 

* * * * *

 

 

FRATERN...ÂNSIAS
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros

Às 21 h e 14 min do dia 22 de fevereiro de 2008 do Rio de Janeiro,
para a arte da minha irmã Denise Moura


 
Tu sabes, minha irmã, eu te respeito;
Ajeito o teu sonhar dentro do meu,
E quando te enfeito no meu peito,
Percebo que eu sou tu e tu... és eu.
 
Tu sabes, minha irmã, é um defeito
Julgar teu coração tão...semelhante
Ao meu, quando percebo que ele é feito
Do mesmo sentimento cativante.
 
A vida, minha irmã, é passageira
E quando, o tempo, então, nos separar,
A lágrima sublime e derradeira
 
Que um dia, um de nós há de chorar,
Há de mostrar o amor da vida inteira
Que a emoção guardou em nosso olhar.
 
 
 
IRRELEV...ÂNSIAS

Cleide Canton
 
De São Paulo, em 28 de fevereiro de 2008, às 2:20 horas,
 para a bela arte de Denise
e a sedução dos versos do poeta-irmão Luiz Poeta

 
Às vezes eu te encontro no "sem rumo"
do vento que abraça um sonho meu,
dizendo das verdades que eu assumo
 e sinto que eu sou "tu" e tu és "eu".
 
E vendo que se fundem igualdades
num plano superior (quase divino),
pressinto que és um anjo sem vaidades
cantando as fartas tramas do destino.
 
Que passe o tempo todo num momento...
Que a lágrima se perca em desencantos...
Poeta-irmão, confesso, não lamento!
 
Felizes foram horas de carinhos,
cruzando nossos risos, nossos prantos
em cenas que alegraram os "eu" sozinhos.

* * * * *

 

RECIPROSSAUDADE
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros( sbacem-rj )
Às 21 h e 10 min do dia 1º de março de 2007 do Rio de Janeiro

 
No espelho onde me olho, eu te vejo...
O desejo de te amar mostra, insensato
O teu corpo... fecho os olhos e te beijo
E me perco na mudez do teu retrato.
 
Abstrato, teu sorriso vai fugindo
Na miragem de um amor que desacata
Meu silêncio... meu amor vive mentindo
Quando diz que tua ausência não maltrata.
 
Tua face se dissolve... mansamente...
Diluída nas lembranças solitárias
Que resgatam um passado tão presente
Na mudez das emoções mais arbitrárias.
 
Entretanto, esta  saudade é simultânea...
Quando eu sinto o teu amor, sei que me sentes
Numa angústia intuitiva e momentânea
Que mistura sensações inconseqüentes.
 
Tu me envolves, eu te envolvo, entorpecemos
Nossas ânsias atravessam  oceanos
E esse amor que só nós dois bem conhecemos
Instantâneo, chega... com os desenganos.
 
As lembranças são saudades diluídas
Numa dor que a solidão sempre recria
Se o passado revisita as nossas vidas,
É na dor que o nosso amor se evidencia.
 
Se és miragem,  que me importa ? ... o coração
É um estranho labirinto onde o amor
Só se perde quando encontra, na paixão 
A extensão do seu prazer mais sedutor.

 
 
FRONTEIRANÇAS
Cleide Canton
Às 13 h e 27 min do dia 8 de março de 2007,  de São Paulo
especialmente para o poeta-irmão Luiz Poeta


  
No espelho onde te olhas vês apenas
a miragem do teu sonho mais ousado
e entre nuvens de saudade tu me acenas,
relembrando o terno amor do teu passado.
 
Quando cantas, solitário, a minha ausência
e encontras meu sorriso entre lembranças,
tu te sentes maltratado sem clemência,
pois perdeste, neste vão, as esperanças.
 
Mas sou eu que me perco e vou além
das fronteiras que hoje barram o passado,
e lá busco as lembranças que convém
neste agora em que te vejo emocionado.
 
E tão certo é que te lembro e até gosto
de sentir-me ainda e sempre muito amada,
que no jogo desta vida ouso e aposto
que me vês eternamente apaixonada.
 
Podes crer que me envolves em torpor
num anseio que tão bem nós conhecemos
e se linda esta história foi, de amor,
a saudade é muito boa e merecemos.
 
Jogo fora qualquer dor qu'inda persista.
Nada quero que macule a evidência
de um querer que venceu pela conquista
e em meu peito faz valer a resistência.
 
Na miragem que procuro a toda hora
onde o sopro da paixão é uma constante,
sinto o ontem como se voltasse agora,
sedução que acorda o corpo-amante.

* * * * *

SEM SABER ONDE PISAR

Luiz Poeta ( sbacem ) - Luiz Gilberto de Barros

Às 12 h e 47 min do dia 23 de abril de 2006 do Rio de Janeiro

 

Tu me chamas, eu te sigo mas... hesito;

Há conflitos dentro do meu coração;

O amor é um sentimento tão bonito,

Que se perde às vezes, dentro da paixão.

 

Tu te apressas em viver este momento,

Eu me ausento, temo me fragilizar

Quando as pétalas perderem-se no vento

Nevoento da ilusão do meu olhar.

 

Não percebes, mas meus olhos solitários,

Solidários não resistem... vou chorar;

Os teus sonhos criam vãos itinerários

E eu os sigo, sem saber onde pisar.

 

Tu insistes e me tomas pela mão,

Mergulhando o teu olhar nos olhos meus;

E me beijas... eu me rendo à sedução

Minha dor, timidamente diz: - Adeus.

 
 
SE VACILAS...
Cleide Canton
 
Especialmente e com muito carinho
para meu sempre querido Poeta-irmão Luiz Poeta
de quem me orgulho de ser fã incondicional.
 
Se os caminhos que tu pisas vou seguindo,
se te curvas e eu te cedo a minha mão,
se enxergas que as portas vão se abrindo
novos passos ensaiamos, sem senão.
 
Se tu choras de repente eu já te grito,
se tu vences eu aplaudo com calor,
se confrontas o teu canto tão bonito
não me curvo e tu superas essa dor.
 
 Se ressentes o meu sonho de momentos,
se nostálgico se queda o teu olhar,
se o temor é o que embaça sentimentos
eu te acordo e tu retornas a sonhar.
 
 Se vacilas eu te dou os meus abraços,
se deliras eu te entrego o meu cantar,
se me olhas e confirmas nossos laços
eu te encontro num sublime poetar.
 
 Se despedes com ternura a tua dor,
se te rendes aos meus beijos-sedução,
se te encontras mui aberto para o amor
tens de Deus a sublimada proteção.
  
SP, 28/08/2006
18:18h
 
 
* * * * *
 
 
QUANDO A DOR SENTIR SAUDADES
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
Às 9 h e 21 min do dia 06 de janeiro de 2008 do Rio de Janeiro - 1° poema do ano de 2008



Nas entrelinhas tu me dizes o que queres...
Não desesperes, eu entendo o labirinto
Desses caminhos desenhados por mulheres
Que normalmente ignoram o que eu sinto.

Quero falar-te e te dizer que estou triste,
Meu ser resiste e meu sorriso, fracamente,
Vai demonstrando uma tristeza que consiste
Em omitir meu sofrimento... simplesmente.

Testas meu ser, tentas criar a criatura
Que tu desejas, mas eu sou tão imutável,
Que continuo a te doar minha ternura
Diante de um comportamento inexplicável.

É bem provável que enfraqueças, no presente,
O que o passado construiu, e é natural,
Que ignores tudo o que meu peito sente...
As amarguras fortalecem-se no mal.

As entrelinhas codificam-se e deixam
Bem muito mais que impressões sensoriais;
Meus risos tristes são desejos que se queixam
Dos teus desejos solitários...desiguais.

Deixas de ti, relíquias que coleciono
Dentro do peito, lacradas no coração
E ao recordá-las, sempre me emociono,
Principalmente quando sinto solidão.

Deixo de mim, no teu silêncio, só rancores
Inusitados, pois, por me cobrares tanto,
Tu conseguiste transformar em dissabores
O mesmo riso que brotava... com meu pranto.

E como nunca posso dar o que tu queres,
...não desesperes...no teu cofre de vontades,
Deixo um amor - que podes ter quando quiseres,
É só buscá-lo, quando a dor sentir saudades.


E POR FALAR EM SAUDADE...
Cleide Canton

Às 23:50 minutos do dia 13 de janeiro de 2008, de Sampa,
para o meu irmão de alma Luiz Poeta.



Se o que quero eu te digo em entrelinhas
que se perdem num confuso labirinto
não me julgues pois as dores que são minhas
se misturam no que escrevo e no que sinto.

Já não sei se esse teu sorriso triste
quer mostrar desespero ou desencanto.
O que sei é que em mim ainda existe
a vontade de afagar esse teu pranto.

Eu te testo e descubro teus segredos.
Nada crio, dou apenas polimento
nessas pausas que maculam teus enredos
nessas falas que demonstram sofrimento.
 
Não permitas o sufoco de amarguras
nem que males permaneçam encravados
nos teus gestos sempre plenos de ternuras
que embalaram teus amores já passados.
 
Meus desejos solitários, desiguais,
conflitantes com um mar em calmaria
são os brados em estrofes informais
a buscar, das verdades, a sintonia.

Se tu fazes do teu peito meu sacrário
e se guardas com carinho meus penhores
também tenho meu tesouro-relicário
onde imperas, o maior dos meus amores.

E me guardo, e me puno em solidão
sem queixume e sem mesmo te cobrar
os remendos do meu triste coração
que pecou em excesso por te amar.

Foi-se a mágoa e a saudade está doendo
Foi-se o sonho mas a ilusão persiste.
Neste instante busco o amor ao qual me rendo
nos teus braços onde o amor ainda existe.

 

* * * * *

 
ESCUTÂNCIAS
Luiz Poeta
 
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Giberto de Barros
Às 13 h e 8 min do dia 29 de maio de 2005 do Rio de Janeiro


Quando quero te falar, nunca te grito;
Minha voz é o teu silêncio me escutando
Só te falo com o olhar com que te fito
Se evitas meu olhar, vais te evitando.

É assim, o meu sorriso mais aflito,
Sempre grita a dor aflita, que ao calar
Grita dentro de mim mesmo a dor que grita
Sem que possas, se me evitas, me escutar.

Na canção solta no ar, a voz levita
E é na voz que a canção quer se soltar;
Se a canção se faz com a voz, que é tão bendita,
É na voz que a canção vai flutuar.

Só quem pode ver além da voz do olhar
É que pode compreender qualquer escrita
A palavra pode apenas registrar
O silêncio, mas o olhar é que mais grita.

O amor detona a dor que o dinamita
Quando a flor da emoção se despetala
E se a dor vem da atitude mais restrita,
O amor espalha pétalas na sala.

É assim, mesmo com a força que a embala,
Toda dor de um coração sempre é finita
Porque quando a voz do amor também se cala
Dá lugar a outra voz... bem mais bonita.


LEVITÂNCIAS
Cleide Canton
 
Para o irmão de alma, Luiz Poeta,
tentando acompanhar seus lindos versos
que soaram aos meus ouvidos como uma melodia...
SP, 29/05/2005 22:30 horas

 

Quando penso em ouvir-te, na distância,
e o silêncio de faz som em tal momento,
meu cantar vai de encontro à levitância
destes versos que me chegam em lamento.
 
 Se escondes em sussurros dor aflita,
se não gritas em verdade o que magoa,
vou buscar nas entrelinhas a desdita
e expulsar de um coração o que destoa.
 
 Solto a voz num cantar sem pretensão
em Fá Maior com acordes dissonantes.
Então flutuam versos meus sem intenção
que não seja ser beleza em instantes.
 
 Se entendes as palavras que se agitam,
se registram o que delas se traduz,
é porque lá no fundo não conflitam
mil desejos se um apenas te seduz.
 
 A velha mágoa de um amor que foi embora,
como veio, de repente vai morrendo.
Mas os versos correm soltos, mundo afora,
em olhares que não mais estão nos vendo.
 
 E levitam nossos versos em canção
refletindo o mesmo amor em outro amar.
E se a eles dedicarem atenção
mais bonito se fará nosso cantar.
 
* * * * *
 
Obrigada, Poeta Irmão,
por tantos momentos mágicos
onde a poesia nos abraçou.
São Carlos, 25 de setembro de 2013
20:00 horas

 


 

 

 
 

 

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Página editada por Cleide Canton em 25 de setembro de 2013

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