MÁSCARA DA ILUSÃO
Marise Ribeiro


Na face, a máscara obrigatória
Na alma, a satisfação ilusória
Sou palhaça da vida fingida
Maquiagem pelo choro escorrida...

Palhaça a sorrir... a gargalhar
Quando a vontade é sumir... gritar
Palhaça que brinca com o mundo
Mas com um coração vagabundo.

Palhaça na hora em que a dor aperta
Fingindo aquele sofrimento não sentir
Palhaça na solidão da pena de poeta
Em que é mais fácil a fantasia vestir...

Até quando vou me valer dessa condição
De misturar realidade e ilusão?
Até quando vou entrar no palco, assim
E voltar a ser eu mesma no camarim?

Marise Ribeiro
www.mariseribeiro.com
03/05/07



DESMASCARADA

Cleide Canton


É hora da verdade dolorida,
de mover esta máscara da face,
de acolher toda a lágrima sentida
e deixar que a amargura então lhe abrace.

Hora da voz que tange sem rodeios,
e os sorrisos perderam o sentido,
os gestos não precisam de floreios
nos atos onde o humor já foi banido.

E entregue à vida, ao destino tão algoz,
de cara limpa e sem qualquer vaidade,
são os soluços que calam-lhe a voz
no encontro com a triste realidade.

Que bom seria se vestes coloridas
e as tintas que seu rosto já cobriu
tingissem suas estradas perseguidas
e o seu sonho todinho só de anil.

Mas a sina que leva, sem saber,
de fazer sempre rir a multidão,
é o único consolo que há de ter
p'ra abrandar o seu triste coração.

SP,11/10/2007
13:00 horas

 

*  *  *  *  *
                             
art Denise Moura


 

 

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Página editada por Cleide Canton em 26 de agosto de 2013

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