|

Desejos
Natalinos
Cleide Canton

Serão tão fortes os nossos
desejos,
serão tão solenes as nossas
preces,
será tão grande a união
em torno de anseios comuns,
que encontraremos o caminho
que nos levará novamente à
tranqüilidade.

E olharemos para este nosso chão
com orgulho e admiração.
Haverá a almejada paz
o pão sobre a mesa
sem que seja necessário estender
a mão,
um céu cheio de estrelas
visíveis
bem longe da poluição,
o abraço terno
entre pais e filhos,
a família estruturada,
as leis cumpridas,
as escolas preparadas,
obrigações divididas.

Haverá o poder verdadeiro
emanado do povo, pelo povo e
para o povo,
delegado aos poderosos
que não precisarão "negociar"
para agir,
que não precisarão pagar para
"estar",
que não precisarão iludir para
"ser".

Aí, então,
não haverá o brado para se
conseguir,
não haverá sangue
para provar necessidades,
não haverá orgulho
que impeça o pedido de perdão,
não haverá preço nem delação,
e a verdade não exigirá
confrontação.

Comecemos pelo Natal.
Não é preciso que Cristo nasça
novamente
e nem padeça novas dores.
Basta que Ele renasça
na manjedoura de nossos
corações.
Que nossos ouvidos não sejam
surdos
e que nossas atitudes,
inspiradas em seus ensinamentos,
sejam despidas de preconceitos e
vaidades.

Quem sabe assim, no próximo
Natal,
estas minhas palavras
possam estar inundadas de
ternura e amor
e, em vez de pedir,
possamos, entre sorrisos,
apenas louvar e agradecer.
São Paulo, 26/11/2005
14:50 horas
|