DESCONSTRUÇÃO
Watfa
 
 
O entorno, desigual ao que eu tinha,
meus livros desfolhados, já caídos,
desfere rude golpe em meus sentidos,
o que em mim provoca a dor que é minha.

As tralhas, em lugares conhecidos
de mim, me circundavam quais amigas,
tocando em meu mundo as cantigas,
sussurros que embalavam meus sentidos.
 
 E hoje, o meu mundo desconstruído
me fere, em confusas sensações,
as que me balbuciam emoções,
feridas que não tinha em tempos idos.
 
 Meu tudo já é nada, sem retorno,
fagulhas crepitando no meu mundo,
convite ao despencar, bem lá no fundo,
tornando o meu viver um tempo morno.
 
 
* * *
 
 
SEMPRE É TEMPO
(Para Watfa, um anjo feito mulher)
Cleide Canton
 

Dores tantas, sintomas de uma vida,
folhas gastas por quantas releituras
são as marcas na cor da flor ferida
qu'inda espanta o fel das amarguras.
 
Braço amigo a guiar o passo alheio,
voz que brada nos sopros da canção,
de meiguice leva o peito ainda cheio,
de firmeza calca, ereta, os pés no chão.
 
 Tropeça, quase cai mas se levanta,
descansa e novamente vai à luta,
sementes que plantou e ainda planta
florescem em perfumes, sem disputa.
 
Seu mundo é quase todo de ternura
e explode num sorriso, sem temor,
se a vida lhe devolve, em amargura,
o beijo que foi dado com amor.
 

SP, 14/07/2009
16:00 horas


 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 01 de fevereiro de 2010

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