DESCOMPASSO
 Hilma Ranauro
 


Me querem mãe
e me querem fêmea,
me querem líder
e me fazem submissa,
me fazem omissa
e me cobram participação,
me impedem de ir
e me cobram a busca,
me enclausuram nas prendas do lar
e me cobram conscientização,
me tolhem os movimentos
e me querem ágil,
me castram os desejos
e me querem em cio,
me inibem o canto
e me querem música,
me apertam o cinto
e me cobram liberalidade.
 
Me impõem modelos
gestos
atitudes
e comportamentos.
 
E me querem única.
 
Me castram
podam
falam
e decidem
por mim.
 
E me querem plena...
 
 
 
 
CONTRAPASSO
Cleide Canton
 
 
Faço-me neutra,
mas esperam o meu julgamento.
Mostro-me tola
e deturpam meu pensamento.
 
Vêem-me várias,
mas só há uma em mim.
Buscam-me, meio,
mas esquecem que sou fim.
 
Guardo-me livre,
mas colocam-me algemas.
Querem  soluções
e enterram-me em problemas.
 
Dispo-me da farsa
em atalhos do desamor.
mas escondem, em teorias,
meu juízo de valor.
 
Cegam, com desculpas,
a minha  observância
e desafiam, sem pudor,
a minha tolerância.
 
Olham-me,
estudam-me,
cobram-me
desafiam-me...
E têm-me como não sou.
 
 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 14 de maio de 2010

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