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DEIXA-ME AGORA
Cleide
Canton
Deixa-me agora!
Já se
faz hora
de,
num manso leito, o rio seguir
sem
mais uma queda a parir
lágrimas no meu rosto,
mágoa
e desgosto.
Deixa-me tua lembrança
escondida na esperança,
enterrada sobre os escombros
do
castelo de assombros
que
não mais habito.
Deixa-me a saudade
abafada na vontade,
morta
do meu grito.
Deixa-me apenas
caminhar entre açucenas
buscando a cor
que
não achei no amor.
Deixa-me neste vazio
sentindo o vento e o frio
açoitando o coração magoado.
Deixa-me, te peço,
para
que eu viva este recesso
no
meu cavalgar cansado.
Deixa-me, e pode ser
que
eu ainda consiga ver
as
estrelas no firmamento,
o
caminho do meu porto,
a
fresta no meu sonho morto,
o fim
deste vão lamento.
SP,
07/02/05
13:15
horas
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