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Danos morais
Cleide Canton
Garcia
E mais uma ferida se abre,
tão profunda e dolorida,
ostentando o troféu
no pódio da vida.

Dela não me ufano
e não a tenho por merecida.
Busquei-te, amor insano,
e lutei por ti
num mar das maledicências
antevendo as conseqüências.

Acreditei-te!
O calor de minha alma entreguei-te.
E quanto mais sangrava a idolatria,
mais tua distância a tornava fria.

Anulei-me, endeusei-te...
E as minhas verdades não fizeram eco
na minha poesia.

Eras, em tudo,
o avesso de mim
e eu te quis mesmo assim.

Revesti teu barquinho de papel
procurando dele fazer
uma nau segura,
capaz de vencer adversidades
e tu o pintaste
com verniz de falsidades
que a lama da maresia
depressa corroeu.

Não mais seríamos,
tu e eu,
a navegar em mares tranqüilos.
E, no apagar do sol no poente,
dei-me conta deste amor doente
sem nem mesmo ter chance
de buscar a cura.

Sei pouco nadar
em águas escuras,
tampouco viver
num lamaçal de amarguras.

Sobrevivi e aprendi.
Nas areias da praia
meus pés ainda sentem tuas ondas
mas meu olhar se perde no horizonte
onde teus sonhos são conjecturas
e os meus convalescentes,
sem censuras.

Danos tantos
Iguais a quantos!
Alto investimento.
Que o preço eu pague,
embora em meus sonhos
ainda divague...

SP, 05/04/2004
Proibido a cópia sem
autorização da
autora
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