Cruzando Mares

 

Parceiros se encontram, cruzando as águas salgadas,

e ficam tão próximos pela poesia

que o abraço se torna real.

Grata, amigo Tiago,

pela poesia, pelo carinho, pleno companheirismo

e encantamento.

 

 

 
Visão
Cleide

Perdida aqui, num barco ainda sem rumo,
entre tantas agruras eu me vejo,
que ao ver tanta beleza só desejo
usar a mesma linha no meu prumo.

Do chão um voo lento então assumo
a visão bem maior do meu ensejo
de dar a quem merece este meu beijo
e abraços nestas linhas que resumo.

São versos bem talhados, consistentes,
repletos de ternuras persistentes
vagando sob a lua, sem temor!

São versos que rubricam a amizade
levando para além da eternidade
as verdadeiras falas de um amor.

São Carlos- Brasil,09 de fevereiro de 2014
22:10 horas



A  semente
António Barroso (Tiago)

Quando o poeta sente, com verdade,
Parece mais azul o firmamento,
Correndo, mais veloz, seguindo o vento,
Vê, na terra, haver mais fraternidade.

Então, surge, de novo, uma amizade
Como uma flor que nasce, em pensamento,
Que, para se regar, todo o momento
É próprio, p'ra lhe dar continuidade.

E, todo eu rejubilo de prazer,
Fez, o acaso, outra vez, aparecer
A caixa da esperança que a alma abriga.

Agora, guardo bem o meu segredo,
Mas olho, todo o mundo, sem ter medo,
Porque a vida me deu uma outra amiga.

Parede / Portugal (17/02/2014)


Anseios do acaso
Cleide Canton

Perdoa-me, Poeta, se os anseios
povoam passarelas coloridas
de poucos qu'inda cruzam nossas vidas
buscando fins que rimem com os meios.

Os sonhos que tropeçam em seus veios
escondem-se nas falas perfumadas,
enquanto a lua vaga em madrugadas.
tecendo sóis em longos entremeios.

E as cores vão surgindo no bordado
que a cada passo torna mais ousado
o tom que se deseja em seus finais.

Amigo, se me dás o teu carinho
eu acolho no seio do meu ninho
este acaso entre tantos desiguais!

São Carlos, Brasil,17/02/2014
23:50 horas

 

Obrigado
António Barroso (Tiago)

Eu agradeço a Deus, com humildade,
Não cesso de exprimir o meu louvor,
Pois me rodeia, assim, de tanto amor,
Me dá, no meu ocaso, esta amizade.

E sinto-me feliz, pois, na verdade,
Que mais posso eu querer do seu favor
Se, quando dou por mim, há uma flor
Que me acena com lenços de bondade.

De longe, nem um doce ou chocolate,
Nem rosas para encher um açafate,
Posso mandar, a não ser em fantasia.

Se a distância me corta esse prazer,
E eu desejo, eu pretendo agradecer,
Só o posso fazer com poesia.

Parede / Portugal (20/02/2014)
 
 
Brindemos
Cleide Canton

Os teus versos recebo com carinho
e brindo à esta amizade conquistada,
que chega d'outros mares refrescada
por brisas portuguesas no meu ninho.

Borbulha em taça clara, ainda sem vinho,
o canto dessa verve requintada
à espera da visita afortunada.
na mesa recoberta em branco linho,

E chegam novos versos com candura,
eivados de nobreza e sem censura
que acolho neste alegre festejar.

Brindemos, pois a vida nos oferta
momentos de beleza que desperta
rimas novas num novo versejar.

São Carlos,Brasil, 07/03/2014
20:40 horas



Ajuda das musas
António Barroso (Tiago)

Rogo, às musas, socorro, se entristeço,
E elas sempre respondem, na alegria
De que, quem pede ajuda à poesia,
Merece recebê-la , e eu, mereço!...


E, quando se despedem, só lhes peço
Que levem, além mar, no mesmo dia,
O meu carinho, a minha simpatia,
Para uma amiga, num novo endereço.

Cumprindo, com prazer, o meu desejo,
Elas partem deixando um terno beijo,
E que eu recolho, nestas terras lusas.

Carregam, sobre o dorso, o meu carinho,
E, eu sei que não se enganam no caminho
Também pedes ajuda às mesmas musas.

Parede / Portugal (08/03/2014

Musas
Cleide Canton

Em versos de ternura sem iguais
as musas que proclamas, carinhoso,
Cinderelas sem rumo glamouroso
são damas nos poemas informais.

São mulheres que sonham muito mais
que as demais neste espaço tão ditoso
e só querem o belo primoroso
das estrofes em tempos outonais.

Se teus olhos as cobrem de tal veste,
em nuanças da cor azul-celeste,
somos menos, bem menos, bem pequenas!

Mas faz bem a estas almas sonhadoras
saber que são queridas detentoras
de tais mimos, coroas de açucenas.

São Carlos/Brasil, 09/03/2014
22:30 horas



A  Travessia
António Barroso (Tiago)

Olhando o mar, abaixo da janela,

Não sou Gama vencendo o Adamastor,
Comandante de naus feitas de amor,
A correr entre as vagas da procela.

A minha pena é minha caravela
Que sulca as feras ondas, com vigor,
E que se agarra à musa, sonhador
Da poesia simples e singela.


Por isso, alinho versos, desde a aurora,
Coloco-os no papel e sopro embora,
Mas, com eles, levando o meu desejo

Que, por sobre os mares, na travessia,
Não se possa perder a poesia
Que chega, à minha amiga, com um beijo.

Parede/Portugal (10/03/2014)


Teia
Cleide Canton

Amigo, hoje me encontras preocupada,
olhando o breu do céu que me seduz
buscando a minha estrela... Onde eu a pus?
Fugiu-me nesta longa madrugada.

Os sonhos encaixados na jornada
de busca pela estrela sem capuz
não encontram os versos que compus
e a esperança já muito esfumaçada.

Recolho, então, as falas de tristeza,
as cores que não tecem a beleza
e pinto a nova tela só de amor.

Dou-te então, de presente, meu amigo,
querendo que ela fique aí contigo
e possas refazê-la com primor.

São Carlos-Brasil, 15/03/2014
19:20 horas



Navegando
António Barroso (Tiago)

Cantadas por Camões, ninfas do Tejo
Seguiam, pelo mar, as barcas lusas,
Assim, agora, partem minhas musas
Com destino a bom porto, é meu desejo.


Como outrora, vogando num cortejo
Seguido por golfinhos e medusas,
Partem as minhas odes, como intrusas,
Para casa duma amiga que não vejo.

Meu soneto de vela desfraldada,
Só grita Cleide, Cleide, da amurada,
E o eco colabora, o eco apregoa,

Eu levo aqui remédio à minha amiga,
Um poema, e tomara que consiga
Com a sua leitura, pô-la boa.

Parede/ Portugal (16/03/2014)


Ancorando
Cleide Canton

As velas vão baixando, a noite desce!
Estrelas vão luzindo (estão em festa)
enquanto na boêmia uma seresta
se faz ouvir no cais como uma prece.

A lua, que de amor também padece,
o brilho ao meu olhar de pronto empresta,
sorrindo ao sol, amigo que lhe resta,
e as próprias mágoas na dação esquece.

Ouve apenas o canto das sereias,
das ondas que se quebram nas areias,
do vento que assovia sem cessar.

Ancoro, então, meu barco em arremesso,
sorrindo com o dia e a dor esqueço...
Novo amigo roubou o seu lugar!

São Carlos-Brasil, 19/03/2013
18:30 horas



Um ombro amigo
António Barroso (Tiago)

Eu nada roubo, não, só quero dar
Um verso, uma palavra com miolo,
Como se fosse um chá, com doce e bolo,
Que eu teria prazer em convidar.

Momentos p'ra podermos conversar,
Sem interesse o tema, erudito, ou tolo,
Importa é que trouxesse algum consolo
A quem precisa de ombro p'ra chorar.

De longe, de tão longe, a minha ajuda
É uma voz sumida ou quase muda,
É prece que começa num alvor.

Não sei que operação a magoou,
Mas p'ra dar esperança, eu aqui estou
Pedindo sempre, a Deus, em seu favor.

Parede/Portugal, (20/03/2014)


Roubaste
Cleide Canton

Roubaste, sim, amigo, sem saber,
a dor que se enjaulou no peito meu
que estava a me barrar junto a Morfeu
por causas que nem mesmo sei dizer.

Calaram-se ante a falta de um querer
meus versos escondidos em museu
e a força pra lembrar o que esqueceu
tomou vulto num novo amanhecer.

Amigos que percebem nostalgia
na voz que se acomoda dia-a-dia
tem sempre um incentivo a creditar.

Tiago, conquistaste com ternura,
o afeto que devolvo, nesta altura,
a quem ainda conjuga o verbo amar.

São Carlos/Brasil,23/03/2014
20:10 horas

 
 
 
Ser ladrão
António Barroso (Tiago)

Se roubei essa dor que incomodava,
E fiz abrir teus lábios, num sorriso,
Não quero recompensa, não preciso,
Que, ante nova dor, a roubar voltava.

Antes de conhecer-te, eu já sonhava
Com esse teu poema tão conciso,
Que brota da tua alma, sem aviso,
E, no meu coração, ele se grava.

 
Eu tenho tanto gosto em te mandar
Meus versos simples, ternos, p'ra alegrar
Teu sofrer, num momento de aflição.
 
E, se um dia, pedires, que alguém, te acuda,
Correrei a prestar-te a minha ajuda,
Pois voltarei, amiga, a ser ladrão.
 
 
Parede / Portugal (24/03/2014)

 
 
Devolvo
Cleide Canton

Se roubas do meu peito um sofrimento,
se fazes dos teus versos um chamado,
devolvo a ti, amigo muito amado,
outro poema liberto de lamento.

Que belo é ter na vida um só momento
que possa eternamente ser gravado,
riscando o que precisa ser riscado,
sorrindo do que um dia foi tormento.

Minha nau atravessa o mar aberto
e sinto o amigo Tiago aqui tão perto
que posso até abraçá-lo com carinho.

Solto o verbo na frase mais precisa
sobre as águas salgadas da divisa
e lhe digo: Jamais serás sozinho!

São Carlos/Brasil, 24/03/2014
21:36 horas



Força de vontade
António Barroso (Tiago)

Amiga que, da dor, já te esqueceste,
E partes, arrojada, ao teu mister,
Tens a força e o querer duma mulher
Nesses formosos versos que escreveste.

Versos que, em linda nau, tu remeteste
Em minha direcção, num mar que quer
Trazer-me, de presente, o que puder
Do sublime soneto que me deste.


E o poema, na nau, pediu ao vento
Ajuda pra levar um tal talento
Por sobre as mansas ondas desse mar.

Se, um dia, a ti, chegar a solidão,
Para além de eu voltar a ser ladrão,
Terás um ombro amigo pra chorar.

Parede / Portugal (25/03/2014)


Querer de mulher
Cleide Canton

A mulher, quando quer, renova o mundo,
faz da vida um romance sempre em cor,
faz do sonho um adejo em esplendor,
faz do chão um canteiro bem fecundo.

A mulher, quando quer, vai mais a fundo
no buscar de um carinho sedutor,
no calar de respostas sem valor...
Transforma choro em riso num segundo.

A mulher, quando quer, abraça o céu
e o mostra para o mundo (é seu troféu),
com a graça que sempre conservou.

A mulher, quando quer, brinca de festa
e arrisca tudo aquilo que lhe resta
para ter, a seu lado, quem amou.

São Carlos-Brasil, 25/03/2014
23:15 horas

 

Atrás de um grande homem
António Barroso (Tiago)

As palavras que voam, pelo espaço,
Se encontram em sonetos sem igual,
E até juntam Brasil e Portugal
Com um fraterno, amigo e longo abraço.

E, em cada verso, existe aquele traço
De harmonia, que é tão habitual
Na musa que, ora séria, ou jovial,
Vai formando o poema, passo a passo.


Pode um homem fazer o que lhe apraz,
Mas mulher, santo Deus... do que é capaz!
Sempre tudo mudar, se lhe aprouver.

Talvez, por isso, corre o mundo inteiro
Aquele ditado que é tão verdadeiro:
Por detrás dum grande homem, há mulher!

Parede / Portugal (26/03/2014)



Lado a lado
Cleide Canton

Embora seja o dito verdadeiro,
a mulher sempre fica lado a lado
de seu par e o envolve com cuidado.
Fecha um olho mas o outro é sorrateiro.

Não descuida do amor o tempo inteiro,
joga limpo, tem carta reservada
para o jogo virar, se for roubada,
perdoar e entender o companheiro.

A mulher, simplesmente, em parceria,
esquece o que não teve e que queria
e busca novos rumos a seguir.

Mas crava suas unhas, com destreza,
nos monstros que ameaçam a nobreza
da graça que sustenta o seu sorrir.

São Carlos-Brasil, 28/03/2014
12:40 horas


 

A  mulher
António Barroso Tiago)

Mulher tem suas armas, suas manhas,
Porém, se ama, acredita em quaisquer juras
Capaz de mil carícias e ternuras,
Mas não pactua com outras estranhas.

Ela sobe às mais íngremes montanhas,
Dissimulando as ânsias e as tonturas,
Por seu homem, suporta mil agruras
Com fé, entrando em todas as façanhas.

Mulher, força do homem, protectora,
Que é companheira, amante, uma senhora,
Diáfana visão, quando amanhece.

Se, acaso, alguma zanga surge, à toa,
O homem pode esquecer, mas não perdoa,
Mas a mulher perdoa e nunca esquece.

Parede / Portugal (28/03/2014)

 

Diáfana visão
Cleide Canton

O ato de esquecer, meu caro amigo,
pertence ao gume oposto, ao outro lado,
aquele que em não sendo embrionado
recolhe a dor maior em seu abrigo.

O não esquecimento é mais castigo
que prêmio para o outro, o ser amado.
Se a mulher não esquece o vil passado
faz pesar, sobre o novo, o fel antigo.

Prevendo o resultado com cautela,
escolhe ser a doce Cinderela
que esquece e que perdoa o que passou.

Escolhe o seu destino consciente,
enterra de uma vez o que é dormente
e faz valer, na vida, o que restou.

São Carlos-Brasil, 31/03/2014
20:51 horas


 
 
 
 
 
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 13 de fevereiro de 2015

 

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