CRÊS?
Cleide Canton
 
 
Estranhas quando passas pela minha rua
e vês desfraldado o meu sorriso
nas cortinas dançantes da minha janela?
Quem sabe pensas que sejam tolos
os meus fins e os meus meios,
os meus tantos despretensiosos devaneios
que retrato nas telas em aquarela!
Verias, se quisesses,
que tinjo minhas flores nas cores que quero,
que elas também florescem
até no inverno, quando menos espero...
 
Sei também que não encontras sentido
em versos que componho
nos momentos de um eu entristecido,
frutos de um pensar sem complexidade
que não nega um fato,
mas faz dele um novo retrato,
talvez por aceitar a dor como meritória,
renascendo a cada dia,
 dando novo rumo a sua história.
 
Acontece que, quando brindo a vida,
enchem-se as todas as taças
com o vinho da minha fé reconstruída,
abre-se um coração que percebe
que o homem talvez não erre na sua busca,
mas peca nos seus propósitos.
A virtude não é mais brilho que ofusca,
os valores se perdem em atos de rebeldia,
e o Criador é figura secundária
nos rumos da sua ideologia.
 
Onde estaria
esse Deus Pai Onipotente
retratado, sem patente,
em templos desiguais?
Não vês o teu Senhor
na face do inocente que implora,
da mãe que pelo filho chora,
no mendigo, no indigente,
no pecador que não se arrepende,
no negro, no índio, no diferente,
no pobre, no rico, no audaz,
no atleta, no incapaz?
 
Pois saibas
que não O encontrarás, pleno,
nas histórias relatadas,
nas falas estudadas,
nos altares a Ele erigidos,
nos símbolos, nos sinais...
Não O encontrarás pleno nos anais.
Ele é único, sem nome ou fotografia
e em cada um de nós faz sua moradia.
 
 
É nesse Deus que acredito
e do qual sou filho bendito
como tu és.
Crês?
 
SP, 04/05/2006
20:20 horas
 
 
 

FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA

 

 
Quer enviar esta página?
Clique no RECOMENDE
 

 Copie o código para colar no scrap do Orkut
 

 

Página editada por Cleide Canton em 06/02/2006

  online