CORAGEM
Cleide Canton


E novamente me calo.
Dizer-te o quê?
Que sinto o ocorrido?
Que jamais quis teu coração entristecido?
Que era exatamente assim
que enxerguei o nosso fim?


Dizer-te o quê?
Que deixei minha nau ao sabor dos ventos
por falta de vontade de remar?
Que ignorei as tempestades
e os piores vendavais
ou que tudo desdenhei
só porque, em verdade
jamais te amei?


Dizer-te o quê?
Se já esgotamos as nossas buscas,
se me refaço sorridente
e num passo confiante
encontro sozinha a saída?


Sorrir-te?
Sequer olharei para trás
e sabes que disso sou capaz.
Errante,
busco o mais adiante.


Sempre me deliciei
com o algo mais que,
se não encontro vou atrás.
Sempre apaguei o ontem
de qualquer modo que o tenha vivido.
Sempre sorri para a estrela do dia
e faço do sonho
o encanto que inebria.


Sabe?
Creio que estou de bem com a vida
e penso, neste momento,
em alguém que também pensa em mim.
Só aguardo que tenha coragem
e saiba que meu coração é livre
para seguir
por fim.


SP, 29/01/2004
12:05 horas

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Web designer Ana Amélia Donádio
romantichome@terra.com.br
Página editada em 08/02/2004.

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