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CHEIA
DE CHARME
Cleide Canton
Deslizando
como
a folha que se desprende do galho,
bailando no espaço
até
alcançar o chão,
ela
chega...
Com
suavidade,
troca os passos sem fazer um ruído sequer.
Move
a cabeça
num
gentil aceno
e
distribui sorrisos
apenas com esboços,
sem
alardes,
cônscia do que é e pode.
Atrai a atenção
pela
delicadeza dos seus gestos,
pela
doçura do olhar,
pelo
jeito meigo e manso de falar.
Olhos atentos
esperam os deslizes
que
jamais ocorrerão.
O seu interior
não
admite senão.
Ninguém ousa adivinhar sua idade
pois
ela simplesmente é e não passa.
Ah!
Senhora Castilho de Avellar!
Errei quando deixei
de
ouvir os teus ensinamentos
mas,
onde quer que estejas,
saberás certamente
que
não há lugar neste mundo
para
tais encantamentos.
Perderam-se os valores
em
ranços e bolores.
Essa
deusa permanece altiva
no
velho quadro desbotado
e
neste coração enlutado
que,
às vezes, sorri da lembrança
até
onde a memória ainda alcança.
SP,03/01/2006
21:00 horas
ARTE - Cleide
Canton
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Página editada por Cleide Canton em 04/01/2006