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CARA OU COROA
Cleide Canton
Perdidos sempre são os bons motivos
do desejo que tomba em desencantos,
dos olhos que se cruzam, mal cativos,
da lágrima, disfarce de mil prantos...
As certezas se fazem escondidas
nas poucas dores, quase indiferentes,
nas vãs esperas, longas, desmedidas,
ou nos encontros pálidos, ausentes.
Que é do futuro vago e indefinido,
do botão semi-aberto e colorido
que junto a tantos, vivo não destoa?
Que se esperar do amor hoje sem dono
se na omissão almeja cetro e trono
decididos na cara ou na coroa?
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