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CANTO DE UM DEUS
Cleide Canton
Deveria chamar-te filho
porque te criei
mas chamo-te amigo
porque sempre te amei.
Acompanho teus passos
no espaço a ti destinado,
no tempo que te foi concedido.
Espectador que sou,
não esperes aplausos a cada ato,
mas os terás
quando o espetáculo que apresentas
tenha desfecho.
Cuida para que teu enredo
não se perca nos vícios
e nem se deixe abater
pelos revezes que existem
para que demonstres a tua capacidade.
Cuida do que, ante meus olhos,
são de tua responsabilidade,
e de tudo que te rodeia
porque te foi dado para que entendas
que não és possuidor nem possuído,
patrão ou servo,
senhor ou escravo.
És
minha criação, a especial,
um sopro do meu poder,
uma fagulha da minha criatividade,
um brilho da minha luz.
E como o bom à casa torna,
espero-te.
Traga-me frutos
dessa tua experiência
para que eu possa abraçar-te
e fazer-te herdeiro
do que a ti foi reservado.
Não tenhas dúvidas ou temores
pois todas as respostas
coloquei dentro de ti,
ao lado de cada possibilidade de ser,
cada oportunidade de ação,
cada chance de mostrar-te
como filho meu.
Só não posso escolher por ti.
Essa foi a liberdade que te dei
para que possas retornar a mim
melhor do que te fiz.
Não te apresses.
Não há ânsia nesta minha espera.
Apenas... Espera.
SP, 04/02/2009
21:20 horas
FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA |
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Página editada por Cleide Canton em 06 de junho de 2009