CANTEIRO DE MIM
Emília Possídio
 
 
Há, no jardim, helicônias belas.
Por todos os lados, a beleza espalham!
Num espaço azul, vidas amarelas,
e no canteiro de mim elas falam.
 
Manhã de sol, sutil, avermelhada.
No meu regaço, lindas, elas baixam.
Deixam marca... Tatuagem ferrada,
em seio intumescido, se calam.
 
Há brácteas caídas por sobre a pedra,
numa rocha dura onde o cardo medra.
 Elas são frisos que ornam as cornijas.
 
As mãos firmes e fortes a erva redra.
Fazem definhar, o crescer desmedra...
Só helicônias reinarão altivas!
 
Fortaleza, 23.03.2006
 
 

SONHOS VIVOS
Cleide Canton

As flores que matizam meus canteiros
plantei-as com a força da esperança,
pois sonhos sempre são alvissareiros
e poucos deixam marcas na lembrança.

Douradas todas elas são ao sol
e fecham-se à chegada do luar.
As pétalas se fazem caracol
na luta para as cores resguardar.

As minhas helicônias são passivas
e entre as heras parecem se esconder,
mas demonstram o amor em cores vivas

mal surge, no horizonte, o amanhecer.
São todas namoradas, musas, divas,
são sonhos que jamais irão morrer.

 

SP, 11/04/2006

23:40 horas


 

 
 

 

Página editada por Cleide Canton em 13 de abril de 2006

 

  online