Canta Poeta
Cleide Canton
 
Canta poeta,
tua dor mais sentida
que, há muito, deveria estar banida
dos passos leves que dirigem tua vida.
 
Canta e encanta,
mesmo que uma lagrima esquecida
esboce a marca d'água na tela final
de uma fase da vida.
 
Tenta, no jogo, a última cartada.
Mostra a cara, mesmo esperando nada.
Talvez nem seja notado...
Mas no silêncio ou na resposta vazia
um novo bailado principia,
quem sabe fadado ao sucesso sem preço
onde o aplauso muda de endereço.
 
Canta, poeta,
e faz da dor a tua alegria
no esvaziar de um sonho que anuncia
um novo horizonte que não se queria.
Saudade se acomoda no canto do peito
até o dia em que, meio sem jeito,
um novo rumo se apresenta
tingindo de magenta
o que foi dor, um dia,
nos versos da tua poesia.

 

SP, 20/10/2005

 

Minha homenagem aos Poetas
no Dia Internacional dos Poetas e da Poesia

 

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Página editada por Cleide Canton em 10 de novembro de 2005

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