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CALA, CORAÇÃO
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Cleide Canton
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Cala,
coração! Emudece de vez,
recolhido
no teu solitário canto
sem descobrir o que fez ou não fez
enjaulado
nas redomas do teu pranto.
Cala,
coração! Escuta a velha voz
que te
conclama, urgentemente, à razão,
buscando
desatar a fúria dos nós
do
entrave funesto dessa amarração.
Cala,
coração! A hora é mais que certa
para
abrir-se ao som da suave melodia
que a
expressão do teu real amor liberta
para
ondas mansas da tua poesia.
Cala,
coração! Deixa logo correr
esse rubro líquido da fantasia
no sonho
que tornará a acontecer
no
amanhecer sagrado de um novo dia.
Cala,
coração! Enterra o luto e a dor
da
derrota passiva, crua e severa
abrindo-te, livre, para o som do amor
que canta
alto, ofuscante, a tua espera.
E grita,
coração, grita a alegria
do romper
do embrião da aurora dourada
que te
espera, ofuscante, dia após dia,
no vale
azul em festa da tua estrada.
Vibra,
coração! Vibra e não mais espere
o
adormecer eterno do teu poente,
onde a
lança mortal na angústia te fere,
levando a
futuro incerto o teu presente.
SP,29/06/2006
11:00 horas
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