É tão imenso o
mundo
perante o
alcance
do meu campo de visão, sem
lentes,
onde as cores
desbotam
e o céu se
esparrama
para abraçar a
terra,
que chego a
duvidar
da minha própria
significância.
O que seria o
homem,
esse tolo
pensador,
perante a
grandiosidade
de um
universo?
Uma
incógnita
a procura da sua
igualdade?
Um
fator
em busca do seu
produto?
Ou apenas a
resultante
de uma
expressão
cujos positivos e
negativos
se
confundem
num amontoado de
parêntesis
e
expoentes?
Seria uma reta
única
ou uma confluência de
semi-retas?
Um cone cujo
vértice
se abre para o
"mais"
ou um prisma que
enjaula
um potencial
desconhecido?
Seria apenas a tese de um
teorema
ou o caminho
buscando
a demonstração do
alegado?
Um ponto sem
valor
com a força de transformar o
resultado,
dependendo do
lugar
em que se
fixa,
ou um ângulo
reto,
incapaz de agudez ou
"obtusalidade"?
Ah! Esse
homem
que se atola no próprio
veneno,
que se liberta e se
redime
num ato de
perdão,
que se pune
por culpas que não são
suas,
que se fecha num
regozijo
por méritos que não lhe
pertencem,
que se esquece de
curvar-se
ao
Criador,
posto que
criatura,
é um
pedinte
na passarela da
vida
sem saber que precisa
aprender
antes de ser
reconhecido,
respeitar para ser
respeitado,
adaptar-se para não ser
recusado,
dar para poder
receber,
escutar para ser
ouvido
e amar
muito
antes de
pensar
em ser
amado.
O homem não é sua própria
visão,
mas um eterno ponto de
fuga
de onde partem seus
passos
para o lugar que
escolher
e até onde
lhe for permitido chegar.
SP,
26/12/2007
23:40
horas