ATÉ ONDE A VISÃO ALCANÇA
Cleide Canton
 

 

É tão imenso o mundo

perante o alcance

do meu campo de visão, sem lentes,

onde as cores desbotam

e o céu se esparrama

para abraçar a terra,

que chego a duvidar

da minha própria significância.

 

O que seria o homem,

esse tolo pensador,

perante a grandiosidade

de um universo?

Uma incógnita

a procura da sua igualdade?

Um fator

em busca do seu produto?

Ou apenas a resultante

de uma expressão

cujos positivos e negativos

se confundem

num amontoado de parêntesis

e expoentes?

 

Seria uma reta única

ou uma confluência de semi-retas?

Um cone cujo vértice

se abre para o "mais"

ou um prisma que enjaula

um potencial desconhecido?

 

Seria apenas a tese de um teorema

ou o caminho buscando

a demonstração do alegado?

Um ponto sem valor

com a força de transformar o resultado,

dependendo do lugar

em que se fixa,

ou um ângulo reto,

incapaz de agudez ou "obtusalidade"?

 

Ah! Esse homem

que se atola no próprio veneno,

que se liberta e se redime

num ato de perdão,

que se pune

por culpas que não são suas,

que se fecha num regozijo

por méritos que não lhe pertencem,

que se esquece de curvar-se

ao Criador,

posto que criatura,

é um pedinte

na passarela da vida

sem saber que precisa aprender

antes de ser reconhecido,

respeitar para ser respeitado,

adaptar-se para não ser recusado,

dar para poder receber,

escutar para ser ouvido

e amar muito

antes de pensar

em ser amado.

 

O homem não é sua própria visão,

mas um eterno ponto de fuga

de onde partem seus passos

para o lugar que escolher

e até onde lhe for permitido chegar.

 

SP, 26/12/2007

23:40 horas


 

 
 FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
IINTERPRETAÇÃO DE ASTIR CARRASCOSA
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 23 de fevereiro de 2008

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