Até de costas
Cleide Canton Garcia


Até de costas
minha rosa te ofereço. 
Que mais posso dar-te
senão o meu apreço?



Não posso ser-te
nem ofertar-te
o que de mim já roubaram.
Não posso ouvir-te.
Perdoa-me, então,
pois um beijo de amor maior
selou minha audição.



Também não quero ver-te entristecido
pois jamais serás
nos meus versos esquecido.
És como és
e eu, como sou.
Apaixonados, 
literalmente insolentes.



Adormeces quando amanheço
e o teu despertar desconheço..
Quando dos meus olhos
a lágrima rola
não és tu quem me consola.
Quando mil venturas quero repartir
não te tenho para me ouvir.
Quando lábios quero para beijar
outros estão no teu lugar.



Quando necessito de um peito amigo
não te encontro para abrigo.
Se saio para namorar
outros braços estão a me esperar.
Se quero dançar, então,
nunca te encontro no mesmo salão.



Tristeza, decepção?
Não.
Apenas somos 
caminhos na contramão.



SP,24/04/2004
17:57 horas 

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Página editada em 02/05/2004.

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