AS PENAS DA ESCRITA

Fernando José Tricerri

(Homenagem ao inesquecível Vô Tricerri)

 

 

 

As penas da escrita são diversas...

E, obviamente, escrevem...

Desenhando catarses e conversas...

Que bem ou mal... Descrevem...

 

As penas da gramática...

Traduzem o belo em forma estática...

As penas do coração...

Colorem as poesias com emoção...

 

As penas usadas nos passados...

Por todos os poetas consagrados...

A ortografia da época... Usavam...

Que hilárias, a de hoje, rabiscavam...

 

As penas que no futuro usarão...

Que de nós, hoje... Farão?...

Seremos motivos de chacotas?

Contar-se-ão do presente, anedotas?...

 

As penas da escrita fazem histórias...

Cultivam as memórias...

Deixam os rastros das pegadas...

Sejam certas ou erradas...

 

De um escrever jamais te omitas...

Grava teu hoje no presente...

Pois logo, logo... Serás ausente...

E de tuas penas, ficarão tuas escritas...

 

 

 

*  *  *

 

FICARAM TUAS ESCRITAS
Cleide Canton

O tempo correu ligeiro
e tu, excelso passageiro,
despediu-se dos demais
em abraços informais.

Deixaste-nos tuas escritas,
tão ternas, tão bonitas
de sonhos, de amores,
sem mágoas, sem dores.

Levaste contigo a poesia
dos sonhos de cada dia
que nossa pena escreveu
e o teu carinho acolheu.

Ao céu chegaste primeiro,
ilustre e velho companheiro,
 e aí te encontras a esperar
o primeiro de nós para abraçar.

Haverá festa nesse dia,
poemas em cantoria
em coros angelicais,
sem lágrimas nos finais.

Aplaudirão, certamente,
o fruto e a semente
dos versos que plantaste,
do bem que nos deixaste.

SP, 02/05/2005
18:00 horas
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 20 de abril de 2012

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