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Minha Aquarela
Cleide Canton
O
pedaço virgem de papel
ou
uma tela
só
não é mais "qualquer"
porque já defini minha aquarela.
Tem nome
e
certo é o destino.
Eu
mesma assino,
embora estejam ausentes
os
retoques finais.
História nada comum
para os velhos Anais.
Tingi meu céu de azul
mas alguém o retocou de lilás.
Cobri minhas flores
de
todas as cores
mas era tanta a ânsia por beleza
que acabei por ferir
a
própria Natureza.
Tentei um acerto
mas atos impensados
não têm conserto.
Acabei por macular
o
simples, o singular.
Na
euforia do contraste
o
brilho me foi amigo.
Tropecei com ele
e ele chorou comigo.
O
tempo, agente interferente,
foi conseqüente:
insinuou o opaco
bem mansamente.
Tela envelhecida
tem mais valor
desde que, com cuidado
se
evite o bolor.
Eis a aquarela!
Encontro-me todinha nela.
Penso que esqueci as retas.
Eu
as projetei
mas não as vejo.
Perderam-se em perspectivas vãs.
Não era esse o meu desejo.
Obra exposta!
Da
vida, apenas amostra.
SP, 19/09/2005
19:30 horas
Midi:
Aquarela, de Toquinho
Arte:
Cleide Canton
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Página editada por Cleide Canton em 20 de setembro de 2005