A partida
Zeluiz - aprendiz de poeta

 

De partida desliguei a maquina, ignorei as feridas
encarei a verdade e dei as costas para a mentira
arrependi-me dos pecados e lavei a alma sofrida
amansei o coração descarregando toda ira
 

Vesti minha roupa mais bonita
caprichei na maquiagem e usei o perfume das flores
sei que é apenas viagem de ida e não se trata de visita
para cumprir a lei da vida como meus antepassados

 
Levo na bagagem uma mala de vivência
todo bem e todo mal que aqui construí
alegrias e tristezas do meu tempo de existência
para avaliação do Pai, se minha meta eu cumpri.
 
Santos - 01 abr 2006
 

 
Bagagem
Cleide Canton
 
Se, entre tantos, se lastima a hora da partida
se há tristeza no olhar dos que chegam ao fim,
vê: a morte também cura qualquer ferida
e, pensando bem, ela não é tão má assim.
 
Quando o dia chegar (não tenho pressa)
e acho até que não terei preparos extras.
Confio no que foi pregado e na promessa
e fiz, da fé e da esperança, molas-mestras.
 
Ainda busco razões de amor em cada passo.
Ainda zelo por valores que nunca irei  trair,
pois a ampulheta trabalha no mesmo compasso
e não creio que se atrase a minha hora de partir.
 
Temor tenho sim, pois também agi errado
muitas vezes. Mas ainda creio no perdão
de tudo que se fez, se o bem foi restaurado,
em tantos atos falhos, alheios à perfeição.
 
De toda a vida, não é pequena a bagagem
que levarei comigo, disso tenho certeza.
Nestes tantos pacotes vejo até vantagem
de não me cansar, tamanha será a leveza!
 
SP, 06/04/2006
 19:40 horas
 
 
 
 
FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
 

 

Página editada por Cleide Canton em 10 de abril de 2006

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