Ao que vens, minha senhora?
                                                            josemir tadeu
 
De onde vens minha senhora?
Dos argumentos do tempo que extrapola,
ou de alguma orla,
na qual meu corpo ainda não tenha roçado,
explorado, caminhado...

Se és encantada, aumenta minha luz.
Se fores solta, liberta minha fala.
Se fores a força que orienta minha boca, me cala.
Se fores indesejável, abandona minha sala.
E caminhante refaz tua rota, busca o que te seduz.

Se queres me ofertar teu corpo, deita no leito.
Se queres acaudilhar minhas vontades,
despe teu corpo, e fazendo alarde,
vê se me toma por inteiro, me invade.
Faça de mim, teu homem perfeito, refeito.

Mas no fundo o que queres minha senhora?
Apenas a vermelhidão dos meus olhos cansados,
passeando pelas imagens dos meus ditos pecados,
deixando-me explícito em teus dizeres versejados,
ou queres de fato, ser minha agora?

Se aqui surgiste por adrego,
por favor, retira teu corpo do meu...
Abre a janela, desfaz o breu.
E para de fazer arder o meu eu.
Pois juro que manterei o teu não confesso segredo.

Agora, minha senhora, se queres ficar,
vê se de mim se achega.
Abraça-me, se assim desejas,
deixa que se espalhe, o que de fato almejas,
e conjuguemos uníssonos o verbo amar...

Qualquer seja tua intenção,
vê se deslaça tuas amarras.
Vê se te atira sobre sobre mim com regalo.
E que os cultos, vultos, crianças e adultos,
possam fotografar tua imagem na escuridão.
Pra que te tornes conhecida.
Minha musa, minha diva, minha vida.
Ou minha ruína, meu mal, minha perdição.

josemir (ao longo...)


Não sabes?

Cleide Canton Garcia

Venho de um lugar onde meus dedos sangraram
onde meus pés cansados não encontraram chão
Venho de um céu distante, cinzento-nublado
onde todas as portas me disseram não.
Venho das lutas, dos sonhos perdidos
de um acaso qualquer, da imaginação
de naus naufragadas, de velas sem rumo
da estrela cadente que riscou a escuridão.

Venho de longe, de mares bravios
de vales das sombras, uivos de dor,
de rios lamacentos , de lagos esquecidos
de matas selvagens, terras de calor.
Venho das razões esquecidas
dos apelos, das lágrimas frementes,
da falta de apego, do teto, da cor
venho do vale das vozes silentes.

Não sabes, amigo, de onde vim?
Trago na mala bagagens vividas
e no peito todas as dores sentidas.
Nem mesmo eu me quis assim.
E neste conceito do emaranhado de mim
encontro o teu eu, também machucado
sondando da vida o porquê da ferida
e querendo saber quem está do teu lado.

Queres mesmo saber de mim?
Não importa de onde vim.
Queres saber o que posso?
Posso te dar a vida que perdeste
e os sonhos que não conheceste.
Posso mudar o rumo dos teus passos
e preencher todos os teus espaços.
Posso tirá-lo ou deixá-lo no torpor.
Meu querido, sou simplesmente, o amor!


SP, 05/02/2004
18:27 horas

FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA

 
 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 11 de abril de 2006

 

  online