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ANGÚSTIA
Nilson Matos Pereira
(in memoriam)
Eu me confesso: quando estou sozinho
Não paro nunca mais de versejar
Na tua ausência falta-me carinho
Abandonado fica nosso lar
O dia inteiro explode a dor no peito
Como punhal que fere o coração
Acordo à noite e não estás no leito
Minha saudade vira solidão
Eu te confesso: fazes muita falta
Tal como o sol vivificando a terra
E na melancolia que me assalta
Surge o poeta, qual soldado em guerra
A delirar com febre muito alta
Devido à angústia que em silêncio berra
Araranguá, 27/04/04
NA TUA AUSÊNCIA
Cleide Canton
Na tua ausência me cansei da lua,
poeta virgem que o amor engana.
Minh'alma toda se despede, nua,
da dança livre a deslizar, cigana.
Na tua ausência me cobri de pranto
vestindo o luto do cruel pesar
entregue a dor do verde desencanto
que enfeita o vaso do meu lamentar.
Na tua ausência coroei o sonho
de ver distante o teu anil olhar
a desdenhar da mágoa que transponho.
Na tua ausência me vesti de grito
num jeito ateu de me sentir murchar
ao enterrar, na dor, um fim prescrito.
SP, 01/05/2004
12:23 horas
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