AINDA HÁ MUITO POR VIVER
Cleide Canton
 
 
Assim como a chuva lava a terra
em ritmos alternados,
e ela, agradecida,
devolve-lhe em verde os prados,
espera a chuva da vida
com o coração aberto,
sem a cicatriz da ferida,
sem o despertar do incerto,
sem a maldade que profana o belo,
sem erguer tão alto o teu castelo,
sem trancar as tuas portas
nem abrir demais tuas comportas.
 
Espera a vida que te chega de presente
como quem espera o amante há muito ausente
a retornar, de repente.
Abre teus braços,
esquece os teus cansados
e tudo o mais que possa barrar teus passos
na estrada que te fará melhor.
 
Há muito ainda por fazer,
muito por tentar,
muito por viver...
Sempre haverá uma maneira
de devolver o viço a flores semi-mortas,
pétalas queimadas pelas desesperanças,
folhas esquecidas entre fungos de rancores,
raízes que não encontram a seiva dos seus amores.
 
Não te empolgues, em excesso, com a novidade
e não deixes que a ansiedade
macule o prazer da espera
nem a alegria do encontro.
Neutraliza, com tua fé,
a ferrugem dos quereres que não ecoaram,
pois só não encontrarão a alegria
aqueles que nunca sonharam.
 
SP, 07/12/2004
13:30 horas
 
 

FORMATAÇÃO CLEIDE CANTON

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 18 de março de 2005

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