Ainda é tempo
Cleide Canton


Quanto mais violentos
os ventos,
quanto mais catastróficas
as enxurradas,
quanto mais os terremotos
tentam destruir
os alicerces da minha base,
mais fortes sopram
os cânticos dos meus anjos,
mais imperativos
se tornam os meus princípios,
mais presentes
se fazem os ensinamentos
que não escapam
aos ouvidos atentos,
mais próximos
se chegam meus amores
e mais cintilantes
se fazem as minhas
esperanças.
Quanto mais desgraças
sofrem os povos,
quanto mais volumoso
o vendaval das lágrimas
de dor e angústia,
quanto mais severa
se torna a mãe Natureza
mais acredito que o homem
desviou-se do seu rumo,
perdeu-se no seu eu
e tornou-se
o verdadeiro responsável
pelas reações
que ele próprio desencadeou.
A consciência  de Humanidade
não deve encontrar ecos
apenas nos momentos de desgraças
mas em cada uma de nossas atitudes.
Qualquer sentimento
que fuja do amor
coloca um coágulo nas artérias da terra.
Ainda podemos evitar o enfarto.
Hoje
beijo o chão que piso
e peço perdão.




              

Página editada em 28/02/2005

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