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ACORDA, NOEL!
Cleide
Canton
Acorda, Noel! É hora
de
alegrar a meninada
que
passou o ano afora
e vai
ficar acordada,
esperando o seu presente
de
alma pura, carente,
e te
pediu quase nada.
Acorda
Noel! Releia
cada
carta, cada apelo
que
nestas horas vagueia
entre
sonho e pesadelo
de ser
ou não premiado,
por
ser ou não comportado,
mas
contando com teu zelo.
Acorda, Noel! Entenda
esta
minha insistência,
pois
não confio na venda
dos
mimos que a inocência
pediu
e quer receber,
crente
que ainda vai ter,
de ti
a benevolência.
Acorda, Noel! Sou eu,
insistindo em ser criança,
pois
ainda não morreu
a
minha fé, a esperança,
de ver
o amor vencedor
sobre a maldade e o rancor
que
pesam nesta balança.
Acorda, Noel! Escuta
o meu
apelo infantil,
insistindo na labuta
pelo
gigante Brasil,
qu'inda padece de fome,
numa
angústia que consome
este
povo varonil.
Acorda, Noel! É dia
de
usar o seu trenó
e
mostrar que a alegria
não é
gasosa nem pó.
É mais
um caso de urgência
a
vencer a prepotência
amarga
como o jiló.
Acorda, Noel! Desconta
todo
esse tempo perdido.
Debita
na minha conta
o que
gastei no pedido.
Desculpa a minha menina
que,
grande, ainda imagina
viver do jeito que ensino.
Acorda
Noel! Encanta
aqueles que crêem em ti
e vem
regar esta planta
da
semente que escolhi.
Que
ela vingue cheirosa
em
meio de verso e prosa
num
sonho que eu não vivi.
SP,
05/12/2007
14:40
horas
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ARTE CLEIDE CANTON
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