Abraça-me!
Encontro-me assim,
meio perdida
na dissonância de
uma melodia
que não compus.
Não consigo perceber
um encaixe
harmonioso
entre aquilo que
espero
e aquilo que posso.
Tenho-me
como algo sem preço,
cujo valor se perde
ou inflaciona,
eternamente
dependente
do julgamento de
quem vive
num mundo que não
construí,
preso a valores
aos quais não
dispenso
a menor
significância,
aplaudindo um
protótipo de beleza
muito distante do
meu modelo...
Conheço-me!
Não quero nuvens
escuras
no céu que pinto
nem palavras soltas
nas linhas que
componho.
Desdenho do odor do
lodo
e das marcas
cinzentas dos bolores.
Quero sol a dourar os meus
propósitos
e estrelas a luzir nas minhas
esperanças.
Abraça-me!
Preciso saber que
não estou só
nesta luta sem
tréguas,
nestes apelos
incomuns,
nestes sonhos que
parecem únicos,
neste jardim onde me
canso
de retirar as ervas
daninhas...
Abraça-me!
Ainda há um
horizonte
e, quem sabe,
descanse no ocaso
o mundo que sonhei
p'rá mim...
SP,12/03/2007
16:40 horas